[Eduardo Chaves] [Multimídia: Conceituação, Aplicações e Tecnologia]

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Nota do Autor

Eduardo O C Chaves

 

Multimídia envolve educadores, especialistas em treinamento, editores, escritores, criadores de vídeo-jogos, psicólogos cognitivos, artistas gráficos, produtores de vídeo, profissionais de marketing e propaganda, experts em comunicações, engenheiros, cientistas de computação, analistas de sistemas, programadores, fabricantes de hardware -- enfim, um grupo extremamente diversificado, que inclui tanto realistas como sonhadores, para usar as palavras de Kristina Hooper, em passagem citada no início do segundo capítulo.

Escrever um livro que tem por objetivo introduzir um assunto que apela a pessoas de especialidades e interesses tão variados não é tarefa fácil. Talvez só um filósofo se arriscaria a tanto. Afinal de contas, Karl Popper, um dos maiores filósofos deste século, uma vez disse que a especialização, no cientista, é apenas um vício; no filósofo, é um pecado mortal. Generalista por natureza e por profissão, decidi, então, não fugir ao desafio de escrever um livro útil para um público tão diversificado. Se consegui, só os leitores o dirão.

O público-alvo do livro são as pessoas mencionadas acima que estejam interessadas em multimídia. Na verdade, o público-alvo é qualquer pessoa interessada em multimídia. O texto é introdutório e pretende estabelecer uma plataforma conceitual mínima que permita que realistas e sonhadores possam conversar e não ter muita dificuldade para se entender.

O que me convenceu da necessidade deste livro foi a participação em alguns seminários abertos sobre multimídia, no Brasil e no exterior. Neles constatei as incríveis dificuldades que encontravam alguns participantes, tanto para compreender colegas oriundos de universos conceituais diferentes, como para se fazer entender por membros de outras confrarias.

Com esse público-alvo, o livro contém passagens que, por exemplo, são óbvias para o profissional de computação, mas que explicam, em linguagem simples, conceitos básicos de informática para o leigo no assunto (educadores, pessoal de vídeo e televisão, etc.). Por outro lado, o profissional de computação poderá se beneficiar da discussão das aplicações educacionais de multimídia, ou até mesmo das informações relacionadas à integração de imagens de vídeo em pleno movimento ao ambiente do computador.

As considerações gerais tecidas acerca do papel da educação na sociedade da informação podem ser lugar-comum para alguns educadores (embora esteja certo de que não para muitos), mas pode beneficiar profissionais que pouco contacto têm com a área educacional. Por outro lado, educadores têm tudo a aprender sobre computação, vídeo, e sua utilização na criação de ambientes ricos em possibilidades de aprendizagem.

Os profissionais de vídeo podem achar elementar a discussão dos padrões de vídeo apresentada no terceiro capítulo, porque é isso que ela é. Mas deverão se beneficiar tanto da análise da questão educacional como da descrição de alguns problemas da área de informática.

E assim por diante. O livro tem de tudo um pouco. É isso, na verdade, que explica uma característica que, de outra forma, poderia ser considerada apenas pedantismo acadêmico: o número excessivo de notas de rodapé. Usei-as para discutir questões laterais, que poderiam ser de interesse para algumas pessoas, e, também, para permitir que leitores mais dedicados pudessem encontrar material de apoio em literatura relativamente acessível.

A maior parte das referências bibliográficas nas notas de rodapé é a artigos publicados em revistas vendidas em banca de jornais (fato que, de pronto, as desqualificaria para finalidades acadêmicas...). O leitor pode ignorá-las, em uma primeira leitura, só se valendo delas quando voltar ao assunto.

Finalmente, algumas palavras sobre aspectos formais.

Primeiro, encontrei inúmeros problemas lingüísticos e terminológicos, alguns dos quais discuti em notas de rodapé. Em texto como este, que envolve termos técnicos de várias áreas, neologismos, e muitas palavras estrangeiras, as decisões que tomei certamente não vão agradar a todos. Espero, porém, que, pelo menos, tenham coerência.

Segundo, as traduções são todas minhas, exceto nos poucos casos em que citei, no corpo do texto, livros escritos por autores estrangeiros, cujo título está em português nas notas de rodapé e na bibliografia. Neste caso, o nome do tradutor é fornecido na referência.

Terceiro, optei por deixar na língua original as citações de livros e revistas em língua estrangeira feitas nas notas de rodapé.


Eduardo O C Chaves   
Campinas, Agosto de 1991


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Last revised: 02 May 2004