A Questão dos Padrões
Eduardo O. C. Chaves
Padrões (o que os anglofones chamam de "standards") são formulados para facilitar a interconexão de equipamentos e a transmissão e permuta de dados e programas.
Na área de Informática em Saúde é útil classificar padrões em termos dos dados a serem processados, dos recursos computacionais (hardware e software) necessários para processar esses dados, e dos recursos de telecomunicações exigidos para transmitir os dados (antes e/ou depois do processamento) entre localidades distantes.
Sem padronização é virtualmente impossível transmitir dados de forma eletrônica ou em meio eletrônico, processá-los em locais e equipamentos diferentes daqueles originalmente previstos, agregá-los, etc.
Além disso, quando dados, recursos computacionais e recursos de telecomunicações são padronizados dentro de uma instituição ou organização, é possível reduzir o número de especializações exigidas de técnicos e outros funcionários e fica mais fácil, desta forma, fazer rotações ou substituições dentro do quadro de pessoal.
A. Padrões de Hardware e de Telecomunicações
É recomendável que as instituições tentem promover padrões de hardware e de telecomunicações aceitos internacionalmente, como, por exemplo, os propostos por entidades padronizadoras internacionalmente reconhecidas, como a ISO (International Standards Organization), a ACM (Association for Computing Machinery), o CCITT (Consultative Committee on International Telegraph and Telephone), etc. Desta forma torna-se mais fácil a transmissão eletrônica de dados com organismos internacionais, como a OMS, os CDC, bem como a utilização de software por eles desenvolvidos.
A nível brasileiro, é recomendável levar em consideração os padrões (quando existentes) das entidades nacionais, como a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), ABICOMP (Associação Brasileira das Insdústrias de Computação), etc.
Na área de microcomputadores e equipamentos periféricos há padrões de facto que as instituições não devem negligenciar. Todas as instituições precisam, eventualmente, declarar que tipos de equipamento são considerados padrão por ela. Isso facilita o processo de aquisição, suporte e manutenção, etc. Essa é tarefa importante a ser executada pelo Centro de Informática ou equivalente.
Na área de equipamentos de computação de maior porte não há padrões (de facto ou oficiais) aos quais recorrer, e esse é um dos principais problemas do setor.
Padrões de transmissão e permuta de dados (taxas e meios de transmissão, protocolos de comunicação, etc.) são, naturalmente, extremamente importantes. Referência especial deve ser feita ao padrão Open Systems Interconnection (OSI) produzido pela ISO, que é um padrão para uma estrutura de sete níveis para todos os protocolos. Ampla aceitação desse padrão fará a conexão de equipamentos, a transmissão de dados e o desenvolvimento de software muito mais fáceis no futuro.
Para facilitar a comunicação das várias instituições com entidades como a OMS, é conveniente levar em consideração os padrões desenvolvidos pela própria OMS, através de sua Divisão de Suporte a Sistemas de Informação (ISS), e, a menos que haja fortes razões em contrário, procurar promover esses padrões. Na área de redes locais, por exemplo, a OMS usa uma rede (fornecida pela Ungermann-Bass), do tipo Ethernet broadband. Essa rede dá acesso aos IBM 3090 que ficam no ICC (International Computer Centre), no sub-solo do prédio principal da OMS, bem como ao sistema interno de correio eletrônico, que roda em um VAX 860 localizado na divisão ISS (Information Systems Support). Além disso, pode ser usada para transmissão de sinais de áudio e vídeo e para telefone.
B. Padrões de Software
No que diz respeito a software de microcomputadores, produtos específicos freqüentemente se tornam padrões de facto em áreas como software de sistema (sistemas operacionais, utilitários, linguagens de programação) e software de aplicações genéricas (gerenciadores de bases de dados, por exemplo). Nesse contexto, MS-DOS é geralmente considerado padrão para sistemas operacionais de microcomputadores, e dBASE era (pelo menos até bem pouco tempo) considerado um padrão para gerenciadores de bases de dados.
É importante notar que softwares que eram padrões de facto podem vir a perder esse status. É possível que MS-DOS esteja sendo ameaçado por Windows, ou mesmo por OS ou Unix. DBase foi sendo deixado para trás por muitos por causa dos problemas da primeira versão de dBase IV, vindo a ser ameaçado por FoxPro e Paradox, por exemplo, que, contudo, apresentam excelentes níveis de compatibilidade com dBase.
Linguagens de programação de alto nível apresentam uma exceção a esse quadro na medida em que para muitas delas padrões foram cuidadosamente definidos pelo ANSI (American National Standards Institute). Contudo, alguns desses padrões apenas cobrem um sub-conjunto essencial da linguagem, deixando à indústria a possibilidade de acrescentar opções a esse núcleo.
Não é recomendável que instituições negligenciem esses padrões. Elas devem também procurar promover padrões de proteção e segurança de dados.
Para equipamentos de maior porte, não há padrões geralmente aceitos, sejam eles de facto ou pré-definidos.
Não há, no momento, virtualmente nenhum padrão para software aplicativo na área da saúde, seja para microcomputadores, seja para equipamentos de maior porte. Olhando para o futuro, serão especialmente importantes para a área da saúde os padrões para aquisição e representação de conhecimento e para o uso de bases de conhecimento.
Para facilitar a compatibilidade com software utilizado dentro da OMS, instituições estreitamente relacionadas com ela devem levar em consideração e, a menos que haja fortes razões em contrário, buscar promover os padrões de software adotados por ela. Isso permitirá que dados sejam transmitidos ou transportados sem maiores dificuldades.
C. Padrões de Dados e Informações de Saúde
Software destinado a aplicações de saúde geram dados, seja a nível do indivíduo, seja a nível da instituição. Esses dados são subseqüentemente filtrados, consolidados e utilizados a nível institucional, regional, nacional ou internacional. Para permitir e facilitar a transmissão e a agregação desses dados, é essencial que todo software que gera dados de saúde utilize padrões para captura, representação, codificação, estruturação de dados, etc.
Dois exemplos bem conhecidos de tentativas de estabelecer padrões nessa área são o CID (Código Internacional de Doenças), ou, pelo nome em inglês, ICD (International Classification of Diseases) e os Indicadores de Saúde para Todos no Ano 2000, proposto e patrocinado pela OMS, na área de atenção primária.
Tem havido muita discussão de padrões para conjuntos mínimos de dados, nas várias áreas (hospitalar, ambulatorial, saúde coletiva, etc.), mas estamos longe de decisões geralmente aceitas.
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Last revised: May 02, 2004